Capítulo 2 – Revelações

Alimak caminhava lentamente para sua cara, ainda atordoada pelo encontro com Ogirdor, o dia estava quente e o sol brilhava, mas ainda assim aquela fina chuva a fazia sentir arrepios. Os sentimentos antes escondidos voltaram à tona. O celular toca, ela olha quem está ligando e atende.

– Oi Renji.

– Oiii Ali!!!!

– Como vão as coisas, querido?

– Muito Bem! E com você?

– É… Vão bem…

– Não é bem isso que o seu tom de voz indica.

– Eu só tive um dia cansativo… Só isso…

Ele resmunga e faz cara de quem não acreditou.

– Ta bom então… Mas olho só, eu liguei pra te convidar para a comemoração do meu aniversário, vai ser no mesmo lugar de sempre, você vai, não vai?

Ela sorri, como se quisesse esquecer o que estava sentindo.

– Claro que vou, não perderia isso por nada.

– Bom então eu te busco às 18:30, certo?

– Não precisa, tenho que terminar algumas coisas aqui antes de ir e você precisa receber seus convidados. Não se incomode, eu vou sozinha, devo estar lá até as 19:30.

– Ok então. Te vejo lá, um beijo querida!

– Beijo Renji, e feliz aniversário… Amor.

– Obrigada meu bem! Até à noite.

– Até.

Alimak parou em frente à sua casa, procurou as chaves e quando as encontrou olhou para o céu. A chuva havia passado e um arco-íris se formado no céu.

– Que irônico, eu aqui me sentindo estranha e admirando um arco-íris.

As marcas de tristeza estavam claras em seu rosto e ela não entendia por que o encontro com Ogirdor a tinha feito sentir tudo aquilo, e nem entendia por que sua conversa com Nasijner pareceu tão falsa de ambos os lados.

Os elogios, palavras doces, tudo que eles falaram um para o outro durante todo o tempo que estão juntos parecia falso e sem sentido, ela ficava cada vez mais confusa, nunca tinha hesitado em chamar Nasijner de amor e desta vez hesitou.

Finalmente colocou a chave na fechadura, abriu a porta lentamente e entrou com passos largos em direção ao quarto. Assim que lá chegou abriu o armário e retirou a ultima gaveta, procurou uma pequena caixa rosa que ela guardava com todo cuidado, ao encontrá-la abriu-a e retirou um papel desgastado de lá.

“A vida nunca mais será a mesma sem ti, espero que um dia possa me perdoar. Nunca te esquecerei Ka, e nem deixarei de te amar, nunca.

De quem te ama eternamente.

Og”.

Ela guardou aquele papel durante anos cuidadosamente, quis rasgá-lo várias vezes, neste dia como em todos os outros não conseguiu.

Apesar de estar com ele em mãos não era este o papel que ela procurava, o outro era mais novo, estava menos gasto e tinham apenas alguns números.

“0962-2973”

Ela recebera este papel a pouco mais de 6 meses, a mãe de Ogirdor deu-a pios ele precisava de sua ajuda, mas ela se negou a ligar e dizer que o perdoava, mesmo sabendo que isso poderia custar a vida do rapaz. Felizmente ele tem amigos, e estes o fizeram abrir os olhos para a besteira que queria fazer.

Guardara o papel na esperança de um dia ter a coragem de dizê-lo o que sentia, mas jamais o fizera. Ao retirá-lo uma foto veio junto- estavam ela e Ogirdor de mãos dadas e abraçados; ao lado deles Atikin e Nasijner que distraídos olhavam para o céu- , ela virou e leu.

“O dia mais feliz de minha vida”

– Seguido do mais triste de toda ela, gozado não?!

Aquela foto a fazia lembrar de quando eles eram namorados e de seus momentos juntos, eles eram felizes, se amavam, mas tudo que aconteceu entre eles não foi o suficiente para ela suportar aquela cena.

– Ele estava com uma qualquer, conheceu-a na noite anterior…

As lágrimas correram lentamente seu rosto, este ficava cada vez mais vermelho e inchado.

– Chega de lamentos Alimak! Hora de perdoá-lo e esquecer que tudo isso aconteceu!

Secou em seu terninho a foto, que molhara com as lágrimas que tomaram conta de si, e guardou-a novamente na pequena caixa rosa, fazendo o processo inverso ao que fizera para pega-la.

Tinha um papel e um celular em mãos; Mais uma vez não conseguiu discar aqueles números.

Às 17h Ogirdor chegara na casa de Atikin, eles eram como irmãos e conversavam horas e horas, ela estava triste e ele sabia disso, estavam sentindo a mesma coisa: amor não correspondido.

– Niki, confesse, eu sei que você tá triste.

– Por que acha isso?

– Porque você ama aquele bocó, ele também te ama, mas os dois tem medo de não dar certo. Aí ele arranja uma namorada e você fica assim.

Ela fez cara de quem não gostou e retrucou.

– Eu não faço a mínima idéia do que você tá falando! E nem adianta dizer mais nada que você não fica pra traz não.

– Acabou de confessar…

– Chega desse papo! Eu vou tomar meu banho se não a gente se atrasa.

– Não pode fugir dos seus sentimentos Niki, e você sabe disso.

Ela o olhou, sabia que ele tinha razão mas apenas virou-se e foi tomar banho.

– Ela é tão cabeça dura! Os dois são…

– Eu ouvi isso Og! – veio a voz dela, em um tom bem alto, do corredor.

– Só estou dizendo a verdade…

Não se ouvia nada além do barulho da água batendo nas costas de Atikin e de Ogirdor vasculhando o quarto dela, até que ele encontrou o que procurava.

Estava escondida dentro de uma caixa junto com tantos outros objetos. Era uma caixinha de música onde Atikin guardava tudo em relação a ela e Nasijner, desde a infância até trabalharem juntos, havia guardado aquela caixa durante tanto tempo que até esquecera, era o que ela queria: esquecer…

Ao ouvir o som da caixinha de música, que ela mesma fez há muitos anos, Atikin se assustou, soube naquele momento que ela não podia fingir que nada aconteceu, terminou o banho e foi em direção à Ogirdor e sentou-se ao seu lado.

A caixinha trazia-lhe lembranças e a música que tocava ajudava muito nisso.

– É a sua música… Dos dois, não é?

– É… Quem sabe no dia que nós dois deixarmos de ter medo?

– Niki, não se culpe, vocês apenas não querem estragar uma amizade linda, eu não os culpo por isso, mas acho que deveriam tentar. O amor é feito de tentativas, você deve experimentar o novo e continuar com o velho. Não se esqueça do que vocês passaram juntos, nada pode apagar tudo que vocês são. Nada.

– Eu não tenho tanta certeza disso…

Atikin vestiu-se vagarosamente enquanto ouvia a música que tanto a fez chorar e agora a fazia lembrar de tudo e de nada.

– Vamos Og, está na hora.

– Claro, quem sabe hoje ele não deixa de ser um completo idiota e resolve assumir o que sente?! – disse ele num tom de revolta.

– Não fale e nem faça bobagens Og, por favor. – o tom era de repreensão.

– Não se preocupe Niki, você sabe que eu jamais faria algo para te prejudicar ou magoar.

– Sei sim, agora chega desse papo. Definitivamente.

A voz decisiva de Atikin assustou Ogirdor, ele nunca a vira tão certa de algo.

 

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~ por Bu. -L' illusioniste em segunda-feira; 18-fevereiro-2008.

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