Senhor do Bonfim

Ela lhe entregou 3 fitas de senhor do bonfim: branca, azul e amarela.

_Faz 3 pedidos, tenha certeza que eles vão se realizar. – Sorriu.

_Você sabe que eu não acredito nisso.

_Acredite só desta vez, pelo menos acredite enquanto fizer os pedidos.

_Amarra pra mim? – Olhou-a ternamente, em seguida estendeu o braço.

_Faz o primeiro pedido. – Com a fita branca nas mãos Gabriela deu duas voltas no braço de Caio.

_Eu quero amá-la pra sempre. – Não disse em voz alta, embora fosse sua real vontade, mas pensou nela fixamente enquanto repetia a frase para si.

Gabriela deu dois nós, pegou a fita azul e deu duas voltas proximas à fita branca.

_Agora o segundo Cacá. – Os olhos dela brilhavam.

_Tenho mesmo que fazer isso Gabi? – Ele olhou meio que com cara de deboche, sabia qual seria a reação dela.

_Não vou nem responder esta pergunta. Faz o segundo, anda. – Ela tava irritada, era engraçado vê-la assim.

_Eu quero que ela me ame pra sempre. – Novamente disse apenas para si, repetidas vezes até ela dar os dois nós de costume.

_Faça um pouquinho mais de esforço para acreditar agora, é a última, tá? – Olhou-o com repreensão e ao mesmo tempo ternura.

_Quero que fiquemos juntos, até a morte nos separar. – Desta vez ele falou em voz alta, olhando nos olhos dela. Ela sorriu e tornou a dar dois nós, desta vez na fita amarela.

Anos se passaram desde então, eles brigavam muito mas sempre se entendiam no final, as fitas ainda estavam ali, desgastadas, mas ainda estavam ali. Certo dia eles estavam numa sorveteria, misteriosamente um anel apareceu no sorvete dela.

_Gabi, casa comigo?

Ela ficou sem fala, só conseguia rir, não sorrir, rir mesmo.

_Vai ficar rindo da minha cara? Se não quiser é só dizer não. – O rosto dele estava visivelmente entristecido.

_Desculpa amor, – ela passou a mão no rosto dele – é que foi tão inusitado, e eu quase engoli o anel. – riram os dois.

_E então, qual a resposta?

_Sim. Não há nada que eu queira mais. Você demorou tanto pra fazer o pedido que eu estava quase indo na joalheria comprar os anéis pra fazer sabia?

Beijaram-se.

Um ano depois casaram-se. Tinham uma vida boa, não trabalhavam muito e ganhavam bem, decidiram ter filhos, queriam dois, mas não vinha nenhum.

A menstruação dela atrasou, ela fez o exame de farmácia: positivo. Não via a hora de contá-lo, ligou e pediu para almoçarem juntos no restaurante onde foi o primeiro encontro dos dois. Na hora do almoço lá estavam.

_Nossa, quanto tempo que não vinhamos aqui. – Disse ele um tanto quanto saudosista.

_É verdade, lembra do nosso primeiro encontro?

_Não dele em si, mas me lembro de você me olhando com estes olhinhos e esta boca sempre pedindo por um beijo.

_Bah, deixa disso. Não sou eu que fico acesa por qualquer coisinha.

_Ta bom, chega. Não vamos falar sobre este assunto aqui, podemos falar sobre ele no banheiro, que tal?

_Ei! Isso aqui é um lugar público sabia?

_E daí? Podemos subornar um segurança pra ficar vigiando a porta, que acha?

_Eu não vim aqui pra isso.

_Tá, tá. Então para que viemos?

_É que eu precisava te contar uma coisa.

_Então conta amor.

_Bem, é que eu to… – Ela foi interrompida por um barulho vindo da porta.

_Ninguém se mexe, isso aqui é um assalto.

Caio discou o número de emergência, antes que os assaltantes pudessem ver já havia dito local e quantos bandidos estavam no local. Perspicaz.

_Vem comigo Gabi. – Pegou-a pelo braço e bem devagar levou-a até a porta do banheiro feminino. – Entra aí, tranca a porta e só saia quando eu disser que pode sair está bem?

_Mas… e você? – Ela chorava.

_Sua vida e do nosso filho são mais importantes. Eu te amo, nunca esqueça.

_Não vai Caio, fica aqui comigo, por favor. – A cada hora ela só sentia um desespero maior. Ele trancou a porta por fora, ao perceber isso ela fez o mesmo por dentro. Não parou de chorar nem por um instante.

_Ei, você aí. Deita no chão, agora! – Caio obedeceu, ele precisava que sua esposa e o filho que ainda iria nascer ficassem bem. – Se liga playboy. Se tu não ficar quietinho tu vai dançar, entendeu?

_Fica calmo amigo, eu to quieto, não vou fazer nada.

Ele revistou Caio, pegou o celular e a carteira. Olhou as últimas chamadas. 190.

_Ô cabeça, o bacana aqui ligou pra policia. Vamo andar rápido.

_O QUE? – Um cara alto e forte saiu das sombras.

_Não fui eu, cara, eu juro.

_Então foi quem playboy? O fantasminha camarada? Levanta mané. Policia vai chegar e tu é nosso passaporte pra fora daqui.

A policia chegou. Caio era o refém.

Horas depois, foi negociada a fuga. Soltaram caio e o primeiro bandido se entregou, o outro ainda estava lá dentro, com outro refém. Demorou para se entregar, mas antes de fazê-lo houve um último ato, um ato de vingança.

_Não tenho nada pra perder. Playboy maldito, tu vai morrer. – Atirou em Caio, 2 tiros, um no coração e outro na barriga.

_NÃO!! – ela havia saído do banheiro, não sabe como mas a porta havia destrancado por fora, ela não conseguiu ficar mais tempo sem saber do homem que amava. – CAIO, CAIOOOO! NÃO, CAIO NÃO, NÃÃÃO! – Correu em direção à ele.

Os policiais já haviam prendido os dois bandidos. Mas não conseguiram evitar os tiros. Ela o abraçou, alguém ligou pro 192, primeiros socorros foram feitos.

_Promete que vai se cuidar, promete que não vai se deixar morrer por dentro, promete que vai cuidar do nosso filho pra mim. Promete?

_Não, não, não. Você vai estar junto com a gente, vamos cuidar dele ou dela juntos, você vai viver, eu sei que vai.

_Gabriela, eu amo você. Lembra bem disso.

_Eu também te amo Caio, fica comigo, não vai, não vai, CAIO, CAIOOOO!!

A fita amarela se rompeu.

Nota da Autora: Na verdade apenas um desejo, espero que a leitura tenha sido tão intensa como foi enquanto escrevia.

Abraços de alguém que não escrevia a muito tempo e está feliz por ter conseguido ter um momento de criatividade. Espero que tenham gostado.

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~ por Bu. -L' illusioniste em sexta-feira; 24-julho-2009.

4 Respostas to “Senhor do Bonfim”

  1. Daria um bom livro.

  2. mas agora que já se sabe o fim não teria tanta graça rsrs

  3. Que história linda! Que pena que é um pouco triste e valeu apena você ter ficado um tempinho sem escrever – a inspiração veio completa nesse texto.

  4. Exatamente o que eu queria, um texto triste.
    Escrever me faz uma falta danada, mas agora tenho conseguido me inspirar x)~

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